E agora…

O sono é fundamental para regularizar o bebé, para que cresça de uma forma saudável e tranquila, mas nem sempre é fácil e nem tudo corre bem. Podemos observar o sono por dois prismas, o lado dos pais e o lado do bebé. Sabemos que quando nasce um bebé e a partir do momento que existe a consciência da responsabilidade parental, a Mãe e o Pai passam a dormir num estado de alerta permanente, ou seja, a qualquer movimento e a qualquer barulho, estão prontos para dar resposta. Por outro lado, temos a personalidade do bebé e temos bebés com temperamento mais fácil e outros mais difícil e temos os que conseguem entrar em sono profundo e prolongado e outros que nem por isso e acordam vezes sem conta, interrompendo o sono dos pais. Isto leva a muitas dúvidas, os pais colocam em causa o que aprenderam, a mudança de procedimentos, culminando, por diversas vezes, na exaustão, revelando desta forma uma ambivalência de sentimentos entre a paixão de serem pais e o desespero. Por outro lado, temos o bebé e as suas necessidades, sabemos que existem bebés que fazem períodos de sono prolongados e que colaboram para que os pais consigam recuperar, outros que por vários fatores e fragilidades, acordam vezes sem conta, por vezes com períodos de choro prolongados, levando ao desânimo dos pais. Os Americanos têm uma teoria que dizem: “Nine months in, nine months out”, é quase que como se os bebés precisassem de uma gravidez fora da barriga, do aconchego, do calor dos pais, do contato, do carinho, do toque nutritivo. E quando se sentem sozinhos, a cama dos pais… tão apetecível, parece mágico, que quentinho, que segurança, induz ao sono tão facilmente, parece que uma varinha mágica apareceu e zás… adormeceu profundamente e sem esforço. Os pais enquanto pais julgam-se a si próprios, presos a um sentimento de culpa, muitas vezes induzido pela sociedade e pelos bons princípios, vergonha até de assumir que se renderam aos encantos daquele bebé pequenino. No dia seguinte após uma boa noite de sono até são capazes de verbalizar; amanhã tens de aprender a dormir sozinho (mas por dentro predomina um sentimento de satisfação, consolo, felicidade, pela oportunidade de dormir com o seu bebé). Esta sensação prazerosa que não está escrita e que só sentindo faz sentido, que afinal os pais podem ter a interpretação como um Bónus. O saber lidar com o sono do bebé/criança é dos grandes desafios para os pais, não só pela necessidade de dar suporte e ajudar a induzir o sono, como pela gestão do cansaço e da exaustão para que no outro dia tenha a sensação que vale a pena serem Pais. Os bebés são os grandes desafiantes ao processo de parentalidade, são eles que nos conduzem, como se fosse uma valsa, basta deixar seguir o movimento de sinais, pistas e indicadores para conhecer o bebé, conhecer o sim e o não e saber respeitar, de forma a dar segurança ao bebé para que este saiba que tem ali alguém que o compreende e cuida. Não há certos nem errados, talvez a necessidade de os pais olharem para o seu bebé e para eles próprios reconhecendo o que lhes traz mais conforto, segurança e o bem-estar, tão importantes para o desenvolvimento dos laços afetivos, lembrando o quão fundamental é o toque nutritivo entre os membros da família, que se irão traduzir como pilar de orientação para o novo membro recém chegado.

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