O bebé um ser social

Seria interessante começar por pensar no processo de parentalidade, mergulhando nesta reflexão de como chegar à função de Pai e Mãe. À partida, quando tomamos a decisão de ser Pais, temos já uma intenção de adaptação e aprendizagem, mudando algumas atitudes e orientá-las em função do bebé. Ao longo da gravidez, as semanas que se acumulam, permitem aos pais o início do chamado processo de vinculação, de uma ligação onde o amor prevalece e a dedicação e paixão andam de mãos dadas em função de um bebé que irá nascer. Muitos pais perguntam pelo tal “6º sentido”, será que o temos? Dúvidas e medos começam a invandir o tal sentimento de ligação, será que o 6º sentido é inato ou é preciso graduações para o ter? E se não o tiver? Nos dias de hoje onde a informação é tão disponível, as redes sociais abundam com dicas e conselhos, existem variadíssimas aulas de preparação para o nascimento, aulas de amamentação, aulas de cuidados ao bebé, aulas de slings, aulas de prevenção de acidentes, aulas de 1ºs socorros, enfim uma panóplia de serviços que ajudam este processo que outrora era um trabalho de mulheres, avós e mães de pequenas comunidades, onde havia um cuidado para quem estava grávida e em vias de dar à luz. Nessa altura, a mãe era muito protegida; hoje em dia a mãe muitas vezes está sozinha no processo de maternidade, por isso o apoio de uma equipa multidisciplinar nos serviços de saúde é fundamental. Mesmo antes do seu nascimento, o bebé já faz parte de um mundo social, pois ouvem a voz da mãe, os ruídos exteriores e todos os sons à volta da mãe. O bebé também sente o ritmo da mãe e as rotinas, os níveis de stress, os ciclos de atividade, etc, tudo isto faz parte da experiência do bebé pré-termo. Com cerca das 36 semanas o bebé começa a desenvolver os seus próprios ciclos, a organizar-se. Quando se dá o nascimento, o bebé no seu processo de transformação tem um momento de alerta antes de entrar no ciclo de sono, muito próprio para começar a perceber o mundo à sua volta e reconhecer a mãe, iniciando o seu processo de vinculação. Uma das mais extraordinárias competências do bebé, é conseguir olhar o rosto humano e conseguir imitar as expressões faciais. Desde o nascimento podemos observar uma preferência do bebé sobre pessoas do que objetos, especialmente de quem cuida do bebé. Através do líquido amniótico o bebé tem uma noção do sabor do leite materno e do odor materno, ajudando logo no processo de escolha do elo cuidador. Quando alguém estranho o tenta confortar, o bebé não se sente confortável, porque precisa de sentir a mãe, o cheiro e voz a todos sentidos que o tornam um ser social. O bebé não só prefere as pessoas que lhe são familiares mas quer também partilhar experiências e interagir. Vem dotado de um kit de sobrevivência através de reflexos, do choro, do sorriso, mostrando logo a sua personalidade. Este bebé, que para muitos é um ser dependente, é muito mais do que isso, é um ser social, preparado para comunicar, que tem respostas e maneiras de mostrar um sim e um não, basta estar atento e ver os sinais que nos diz. E aqui se vai desenvolvendo laços de amor que perduram ao longo da vida, fortalecendo as ligações afetivas não só enquanto bebé mas pela vida fora, criando assim Seres com estrutura emocional que se vai refletir na forma como irão interagir com o mundo que os rodeia. Ângela Subtil

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